quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Querido Papai Noel,

                                  

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Apesar de eu não ter sido uma mocinha muito comportada esse ano, eu resolvi apelar e escrever essa mísera cartinha, sabe como é né? A vida não tem sido muito generosa e pra sobreviver a isso somente com uma boa dose de fantasia e outra de solidariedade – dizem que esse é seu forte.
Vamos lá, eu confesso: fui egoísta, falei palavrão, desejei mal, briguei com meus pais e até menti, feio não é? Eu sei, eu sei, Papai Noel, eu deveria ter sido boazinha, mas resolve algo se eu falar que de tudo isso, só fiz mal a mim mesma? O senhor consegue perdoar sabendo que errei tanto e só doeu em mim?
Então, se o senhor chegar até aqui, acho que é porque resolveu me dar uma segunda chance... e aí vai se perguntar, o que uma menina crescida quer de Natal? O que leva a escrever uma carta, colocar no correio e torcer pra me ver passar no trenó? Eu vou dizer.. eu quero eu!
Difícil? Ahh, vai..dá um jeitinho e me embrulha pra presente, por favor? O senhor consegue, a minha mãe diz que é só a gente acreditar. Desejo ser mais honesta comigo mesma, desejo saber ver a vida das pessoas continuarem e suportar a ideia de que elas podem e devem ser felizes sem mim, desejo não me sentir mal quando eu disser basta para alguma situação que me traz desassossego. Eu quero acreditar mais em mim e menos nas pessoas, ser feliz sem me sentir culpada por isso, saber a hora que devo recolher e a quando escandalizar. Ser somente eu, mesmo que eu não tenha certeza de amanhã!
O senhor consegue encontrar tudo isso até esse Natal? Eu vou sentar na janela e esperar o senhor passar, heein... Mas, Papai Noel, se não tiver como.. então, só me faz um favor... me dá um ano inteirinho e novinho pra eu me encontrar?

sábado, 19 de dezembro de 2009

O tempo passou…

E eu mudei. Mudei porque amadureci. Mudei porque passei por tantas e tão diversas experiências, que consegui aprender com meus próprios erros. Mudei porque me decepcionei com amigos. Mudei porque me decepcionei com amores. mudei porque conheci pessoas tão especiais que fui capaz de me inspirar por elas e me espelhar nelas para me tornar uma pessoa diferente.
Talvez uma pessoa melhor.
O tempo passou, eu mudei e nem tudo, nem todos, me acompanharam.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

(buscando o ponto de equilíbrio).

-Você tem um cigarro?
-Estou tentando parar de fumar.
-Eu também. Mas queria uma coisa nas mãos agora.
-Você tem uma coisa nas mãos agora.
-Eu?
-Eu.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Não vamos cair em clichês do tipo “Quem veio primeiro? O ovo ou a galinha?" "Qual a origem do universo?” Porque as pessoas tentam explicar coisas tão patéticas quando não sabem sobre suas próprias vidas? Porque você se importa tanto com os outros e não pensa em mais você? Qual o problema desses seres-humanos? Iguais a você, iguais a mim…

Bem vindo a "Dança dos encéfalos malucos", ao patético espetáculo da vida. Você tem opções: Ser o expectador ou o protagonista. Qual a sua escolha? Eu fiz a minha.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Todo drama é bem vindo.

Incorpore um nome duplo, assuma a lágrima recorrente nos cantos dos olhos, mantenha a testa enrugada e o choro preso na garganta. Fale o que está engasgado, de preferência para toda a vizinhança, na porta de casa e aos gritos. Mas se resolver guardar sentimentos, fale sozinha: conte para o espelho todas as suas aflições de vida sofrida. Desconfie sempre do seu amante, que é também amante de outra, que tem ainda uma família para criar e não assume a tão bela felicidade de vocês. Ele prometeu, sim, mas no fundo você sabe que esse romance não dará em nada e só restará aquele amigo feinho e gago que faz tudo por você.
Amores platônicos, incertezas, angústias, vontades de parar de andar enquanto se estar atravessando a rua, medos de se jogar sem querer do viaduto... Muito mexicana essa vida, muita intensidade, muito momento, sobra pouco pra amanhã. O que vem depois só deve interessar depois.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Nonsense.

Tem horas que todas as boas intenções do mundo não são suficientes, porque a gente nunca vai saber como agir certo. Não adianta o coração estar no lugar certo, porque sempre as palavras saem erradas, e a gente tropeça no ar e dá de cara com uma parede de negação. Só prova que ser cabeça-dura não dói menos. A teimosia ainda não se externalizou o suficiente para me proteger de dores metafóricas, parece. Mas tudo bem, às vezes fico rezando para que chegue o dia que os calos cheguem. O dia para que a insensibilidade me impeça de continuar tentando salvar o mundo, esse tipo de idealismo cego não me faz bem e o romanticismo infindável menos ainda. Me recuso à acreditar em certas coisas. Me recuso à sentar e assistir as poucas coisas que me dão esperança, saindo do meu alcance e se tornando exatamente aquilo contra qual a gente tanto lutou e esperneou num passado não tão distante. Já teve aquela sensação de andar pela rua, sem preocupações, olhando as estrelas, esperando que à qualquer segundo o céu fosse desabar numa explosão de estrelas, e os prédios fossem cair à nossa volta? Porque a única coisa realmente importante nesse mundo inteiro fosse a gente? Tem coisas muito mais importantes na minha cabeça, do tipo como vamos envelhecer? Numa casa cheia de livros, com um sofá pra ficarmos um em cada ponta lendo, com as pernas cruzadas, e sobre ter um cão que iria ficar do meu lado ou deitado na minha barriga. Viver num mundo onde os prédios só significam aglomerados de pessoas infelizes vivendo sob um mesmo teto sem cruzar olhares no elevador, ou muito menos palavras de consolo em noites chuvosas. Prédios, ruas, carros, barulhos, são nada mais do que um pano de fundo cinza, jogado ali para destacar como as nossas pequenas explosões de cores diárias. São realmente coloridas. É saber que nossa pequena revolta é essa. Pouco a pouco a gente morre. Mas enquanto isso não acontece comigo, eu vou lá, passear pela rua. E se você vê uma garota dançando no farol e cantando junto com a música é muito capaz que seja eu... eu queria que as pessoas entendessem tudo, mas às vezes é difícil acreditar que elas consigam. Não que isso já tenha, nem vá, me impedir de ao menos tentar. Mas você, também não deveria desistir.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Tenho os olhos delineados bem negros, um pouco por causa da maquiagem carregada, um pouco por causa das olheiras desta noite insone. Caminho sozinha pra casa pelas ruas mais escuras, tropeçando nas pedras de propósito. É sempre assim. Tenho minha coleção de amarguras pra levar pra casa, e no dia seguinte, recontá-las pra ver se não perdi nenhuma pelo meio do caminho, pra ver se ganhei mais alguma. Olhos bem abertos pela madrugada, sem nada pra fazer, caminhando vigorosamente pra casa, um esporte bem arriscado. Eu acenderia um cigarro se fumasse, eu andaria mais rápido se sentisse medo, eu ficaria mais na noite se tivesse mais dinheiro. Mas minha cama me espera, meus travesseiros também. Eu vou voltar para o meu transe cotidiano. Voltar pra minha vida. E lá vou eu, 03:03h da madrugada, toda maquiada, envenenada pelas pessoas. Mas me faça um favor? Não vá desperdiçar o tempo que você guardou para mim.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Anestesiada

… parece que sugaram todo o meu oxigênio, que meu coração não consegue mais bater, que meu pulso não pulsa, que a terra não gira, que os pedaços não se encontram, que a metade não se completa, que o cérebro não funciona, que as pernas não andam, que a voz não sai, que o som não é ouvido, que os olhos não conseguem mais enxergar, que as mãos não se entrelaçam como antes, que os corpos de tão pertos se separaram, e que nada, em nenhum lugar dessa enorme superfície chamada 'Terra', tem sentido.

Assuma a bagunça que eu sou sem tentar me arrumar.