segunda-feira, 9 de novembro de 2009
As coisas são como são, na hora certa.
domingo, 8 de novembro de 2009
Eu sei, mas não devia.
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Emoção x Razão
Se isso é verdade, eu não sei, mas eu, particularmente, ando mais adepta da razão. Nós, mulheres, somos mais tolerantes. A gente fica em casa enquanto o namorado vai beber com os amigos. A gente fica em casa enquanto ele vai jogar futebol. A gente fica em casa enquanto ele viaja a trabalho. Mas, enquanto a gente tá em casa, a cabeça pensa, dá voltas, procura uma saída. A cabeça pesa e vai cansando... A cabeça põe na balança os prós e os contras. Enquanto ele grita, a gente fica muda. E pensa, e cansa.
Dizem que a mulher é mais emoção, mas, me desculpem. Quando decidimos algo importante na nossa vida, somos só razão. E a razão demora. Pensa. Repensa. Pesa. Calcula. Avalia. A razão dá chance. Acredita na mudança. A razão faz a gente mudar. A emoção é toda atrapalhada. A emoção sai batendo a porta. A emoção grita. Xinga. Esperneia. Faz pirraça. Chora. A emoção põe tudo a perder no momento errado. Mulher é muito assim. Emoção pura ao longo do caminho. Mas a gente sabe que, quando a decisão é séria, a coisa precisa ser pensada. E a gente não põe tudo a perder à toa. Quando damos a cartada final é porque não há mais nada a perder. A gente já olhou por todos os ângulos, já fez os cálculos de todas as probabilidades disso dar certo e concluiu que não dá. A gente vai sentir falta. O domingo à noite vai ser foda. Vai doer pensar que ele vai ser de outra... Vai doer pensar que, duas pessoas, que viveram um amor tão intenso já não mais possuirão qualquer tipo de contato, sabe-se lá se lembraram das coisas que passaram juntos. Lembranças de uma tarde de sol e muito calor serão interradas assim como todos aqueles planos de uma família, uma casa, trabalhando juntos... Vai doer recordar os passeios, os lugares, as músicas, as fotos e os presentes. Vai doer recordar aquelas tardes gostosas jogadas em qualquer lugar da casa, rindo, brincando, ouvindo música... Vai doer saber que ambos já não compartilham mais do mesmo amor, dos mesmos lugares e mesmos amigos. Saber que o "Quero que dure para sempre" já não é mais desejado. Saber que ambos desistiram um do outro para seguir em busca de um outro amor, com uma outra pessoa que jamais imaginaram que iria entrar nas suas vidas e causar tal sentimento tão inesperado a ponto de lhes fazer jogar tudo para o alto e seguir um novo rumo. Somos assim. Somos movidos pelo sentimento que mais nos traz prazer de viver, sobretudo, pela pessoa que no momento está nos proporcionando esse sentimento... Largamos tudo, fazemos loucuras só pela sensação de se sentir "vivo". Não nos importamos de mudar de pessoa, desde que ela nos proporcione aquele tal tão desejado sentimento. Isso soa como se usufruíssimos de alguém por um determinado tempo, até que apareça alguém melhor... Mas de certa forma, é mais ou menos assim que funciona. Não é?
Mas tudo isso a gente já pensou antes do ato. Nada disso vai ser mais difícil do que continuar no relacionamento,
Hoje, deixo as coisas pra resolver depois. De cabeça fria, a gente pensa melhor e corre menos risco de fazer merda.
Hoje, depois de ter dito muita coisa que magoou muita gente e ter ouvido muita coisa que me magoou, eu penso antes de falar (Ou vou tentar...)
Eu respiro fundo e conto até cem mil se precisar. A palavra dita não tem volta. A ferida que ela causa fica pra sempre. Então, hoje, prefiro ser mais razão e menos emoção. Prefiro demorar pra tomar decisões, mas fazer a coisa certa...
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Tudo Acontece em Elizabethtown
Vem agora então. Se assim for, deixa eu te abraçar, ser brega, clichê, carente e pedante... Deixa eu brincar de me sentir viva.
Tenta entender as minhas palavras, porque eu não sei escrever de outro jeito e nem tenho certeza se quero saber. Eu sei falar assim, desse jeito, de mansinho, devagar, sempre pedindo mas nunca mandando. Tenta entender, que apesar de tudo isso que eu disse, eu quero tudo devagarzinho, eu quero que você venha, hoje, amanhã e cada dia de cada vez. não quero jogar com você e não quero suas promessas, eu não sei fazê-las.
Enfim, se você estiver por aí, bem disposto, por favor passa aqui em casa e me leva pro resto da minha vida?

